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O debate a respeito das questões ambientais e da sustentabilidade invadiu fronteiras até então inimagináveis para os idealizadores da tão famosa Estocolmo 72, reunião organizada pela UNCED que abriu caminhos para as discussões na temática ambiental, assim como apresentou alguns mecanismos aplicáveis a diversos segmentos.
A ECO 92, no Rio de Janeiro, por sua vez, trouxe a tona algumas limitações aos modelos apresentados na reunião anterior, contudo, apresentou maior interesse dos diversos segmentos da sociedade civil em um âmbito global. Naquela ocasião, vale ressaltar, a presença da Universidade já organizada e preocupada com a temática as medidas adotadas no intuito de legitimar a mesma como agente de mudanças.
Um novo foco fora criado. A Educação ambiental foi apontada como parte vital na tentativa de se chegar ao suposto desenvolvimento sustentável, pois se atingiria a participação popular em questões ambientais. Nesse sentido, a Professora Maria Elisabeth Pereira Kraemer, em um documento intitulado A Universidade do século XXI Rumo ao Desenvolvimento Sustentável, revelou a importância da Academia como meio difusor de uma postura ambiental mais correta, a partir da premissa de que os trabalhos desenvolvidos dentro das IES's tem um efeito multiplicador, com isso, cada indivíduo, convencido de boas ideias influencia o conjunto, a sociedade e assim por diante.
De fato, a Profª chegou a um entendimento muito pertinente, que ,porém, nos remonta a algumas discussões um tanto polêmicas. O primeiro ponto é a metodologia para incutir um pensamento ecológico ideal, sobretudo para crianças da educação básica. A metodologia é simples e direta: o certo é isso! Você não deve fazer isso! E para-se por ai. Além de repressora, a forma pela qual tenta-se impor nos futuros gestores dos nossos recursos é muito mais moralista que propriamente filosófica, como aponta a autora. Segundo Kraemer, “o desenvolvimento sustentável deve introduzir uma dimensão ética e política que considera o desenvolvimento como um processo de mudança social”. Ainda no texto, a autora apresenta o pensamento de Morin (2003) a respeito de programas educativos “Programas esses que, devem ser colocados no centro das preocupações sobre a formação de jovens, futuros cidadãos”. Se a educação ambiental, fosse efetivamente, aplicada para a formação de cidadãos talvez deveríamos ficar um pouco mais tranquilos, contudo, tornar uma criança um mero reprodutor de práticas nem sempre comprovadas eficientes pela ciência, não parece muito eficiente.
O segundo ponto assemelha-se com o primeiro por envolver as práticas ambientais. A autora trabalha um outro ponto interessante ainda a respeito de programas educativos. Trata-se do que ela chama de Aprendizagem por projetos. De acordo com a mesma, a prática consiste em facilitar as experiências de aprendizagem ao envolver alunos em projetos complexos e contemporâneos, através dos quais eles desenvolvam e apliquem habilidades e conhecimento. Pois bem, para tanto vale uma discussão: os professores estão capacitados,conscientes ou comprometidos com a formação desses cidadãos? O aparato governamental está preparado para suportar essa demanda social?
No dia 16 de março de 2010, durante uma aula/debate, minha turma estava discutindo opiniões a respeito destas questões, inclusive em cima do texto supracitado anteriormente. Duas coisas me chamaram muita atenção. A primeira em cima do modelo apresentado pelo texto a respeito da universidade como instrumento retroalimentador. Durante esses quase 4 anos anos dentro da academia (pouco tempo é claro!) o que pude observar foi uma certa agitação por parte dos discentes em promover debates, seminários e congressos para debater o tema, contudo, essas reuniões eram sobrecarregadas de parcialidade e opiniões político-partidárias ou idealistas, sem nenhuma ou muito pouca base científica. A consequencia disso é inércia ou pouca evolução das supostas práticas ambientais corretas que supostamente é difundida para a sociedade.
O outro ponto e, para mim, o mais preocupante, reside na falta de definições ou consenso em questões primárias. O próprio conceito de sustentabilidade é apresentado de formas bastante variada por diversos autores. Sendo assim, fica a pergunta: como é que a academia pode dar legitimidade a práticas ambientais saudáveis ou realizar pesquisas que reduzam ou compensem os danos ambientais haja vista a discricionalidade com que tratam o assunto?
Torcemos e façamos alguma coisa para mudar este paradigma. É nosso papel contribuir para o futuro da humanidade não só mobilizando massas, mas para a construção do pensamento, que por sua vez, deve ser amparado pela ciência, afinal, o que levou o homem ao nível intelectual que estamos hoje não foi o contingente a sua disposição e sim as tecnologias que ele desenvolveu.

oi meu lindo, você é demais.
ResponderExcluirsua postagem foi maravilhosa!
esclarecendo muitos detalhes!
bjs
Cara, achei legal você falar de sustentabilidade e práticas ambientais saudáveis. Pois me fez lembrar de uma das nossas muitas conversas. Então te pergunto: Não seria um equivoco falar de sustetabilidade, sendo que você é a favor da agroexportação, do consumo de carne?!
ResponderExcluirComo cientistas que somos, sabemos que apenas na Amazônia há mais de 35 milhões de cabeças de bovinos, que por sinal, foi o principal responsável pela destruição da Mata Atlântica. Não falo apenas da destruição de florestas, falo da destruição de lençóis freáticos e recursos hidricos afetados por remédios e hormônios, já que "apenas" 15 mil litros de água são utilizados na produção de 1 quilo de carne!
Nem mesmo a tecnologia,que você citou, foi capaz de diminuir as queimadas de árvores que dão lugar aos pastos, de metano e outros poluentes gerados por bois que são expelidos na atmosfera. Sem citar a soja, que ao invés ser direcionada para alimentar a população mundial é utilizada na alimentação dos "produtos" da agroexportação.
Logo digo que o consumo de carne é o principal culpado pela fome no mundo e um dos principais riscos ao meio ambiente.
Também torço que o paradigma da sustentabilidade seja resolvido, mas para isso precisamos aprender a ver tudo por uma visão holística, por uma visão idealística de mundo!
Abraços caro Ricardo!