Hoje, após uma típica pelada de final de semana com a turma do chopp, retomei a uma corriqueira discussão a respeito da aplicação do conhecimento científico. Ora, mas aonde a abordagem científica se aplica a um jogo de bola com vários marmanjos metidos a boleiros?
Bem, sem dúvidas a analogia pífia, a primeira vista, parece sem fundamento. Contudo, o resultado de uma análise mais crítica da minha pelada é tão pitoresca quanto algumas práticas administrativas que observo no serviço público.
Todo time de pelada é formado por um bando de malas não egressos por concurso público, começando por mim, que fui indicado pelo tio do primo do amigo do vizinho que joga no time dos casados. Eu estou lá na cabeça de área. Sou jogador de confiança. Há de quem me tirar do time, sou amigo do homem. Nesse time joga o Seu Zé. Barrigudo e relotado de outros times. Embora seja Centro-avante e não faça gols, ele é peça intacta no time. A lei não permite tirá-lo de jogo, ele é o dono da bola e do campo. O Paulinho é aquele que fica lá atrás e dá o sangue por todo o time. Corre, marca, ataca. É o legítimo estagiário-peão. Ah amigos... Já fui uma pessoa de vitalidade como o Paulinho. Hoje em dia, eu pretendo apenas fazer uma boa partida e ajudar a equipe a somar três pontos. Sabíamos que o adversário iria dar trabalho, mas agora é levantar a cabeça e pensar no próximo adversário.
Apesar de 1/5 de século vivido, a cada cento e oitenta minuto que se passam eu fico mais parecido com o Carlão. O Carlão é o nosso goleirão. Com seus 1,65 m não teme em peitar nenhum companheiro de time. Sempre enérgico, orienta o time com seus berros, e, como de praxe, termina os jogos irritado com alguém.
Finalizando o time, seja qual for o sentido da palavra empregada, temos os funcionários fantasmas. Os fantasmas são aqueles que não fazem nada pelo time e aparecem apenas no final do mês para receber o seu salário. Bem, estou esquecendo alguém? Ah, claro! O Dr. Roberto, aliás, de doutor não tem nada, muito menos graduação, mas ele é do partido. O Dr. Roberto é nosso grande Chefe de Divisão. Não entende nada de futebol, mas seu cargo de técnico é incontestável no time, uma vez que é o partido dele quem financia a cervejinha e a carne do nosso churrasco.
Você, leitor, deve estar se perguntando: “Sim, onde está a ciência nessa conversa toda? Veja, não adianta eu ter um time aonde os jogadores saibam passar a bola por baixo das pernas, fazer malabarismos com a bola ou qualquer artimanha digna da arte circense, o válido é a aplicação deste conhecimento em favor da equipe. A ciência precisar ser aplicada aos processos administrativos. Vivemos em uma era competitiva, na qual o desenvolvimento tecnológico e científico provoca mudanças radicais nas relações sociais. Não adianta financiar o desenvolvimento da ciência, tecnologia e inovação se o conhecimento científico não é aplicado aos processos internos. Para se construir uma casa é preciso montar alicerces que suportem a sua estrutura. Este é nosso grande desafio como gestores públicos e formadores de opinião.