sábado, 26 de junho de 2010

Ao meu amigo Ollah

Quantas saudades do tempo em que ficávamos sós, eu e você, nesse canto de quarto fazendo confissões, trocando idéias e tecendo planos para o futuro. Amigo, eu confesso que nosso relacionamento distanciou por culpa minha, que por um impulso, resolvi mudar de hábitos, explorar novas trilhas, abraçar o mundo com braços curtos, e agora estou aqui, sozinho, como de costume, porém sem o teu olhar cético.

Certa vez tu me disseste para abrir meu coração, mas que fizesse isso de forma prudente. Até certo tempo consegui, mas por achar que estava preparado e bastante fortalecido, optei pela ruptura das relações com o juízo, e, como tu previste, uma hora ou outra a casa iria cair.

É, meu amigo, durante esses quase dois anos que não nos falamos, muita coisa mudou, mas coisas boas também aconteceram. Percebi que tenho poucos, mas tenho amigos. Foi como constamos uma vez: o amigo de verdade não é aquele que só te traz alegrias, ele também te repreende, te critica, coisa muito comum entre nós dois.

Amigo, estou te escrevendo para pedir desculpas e, se possível, que voltes. Faz falta os teus conselhos e a tua companhia, sobretudo neste momento. Tu me conheces melhor que ninguém. Sabes das minhas limitações, meus prós e meus contras. Nunca erraste um prognóstico, eu que, por infantilidade, não fui prudente.

sábado, 29 de maio de 2010

Aprendendo a viver


Não será a primeira, tão pouco a última vez que me depararei com situações iguais a esta. A propósito, aprendi que na vida nem tudo é para sempre. Tudo tem seu início, meio e fim, ou que quando os acontecimentos fogem a este raciocínio, eles aparecem de forma cíclica. A verdade toda é que a vida sempre nos coloca obstáculos, dos mais simples aos mais complexos, e, atire a primeira pedra quem nunca foi surpreendido por uma situação que se achava impensável até pela pessoa mais pragmática, irredutível e, até certo ponto, intransponível, como eu.

Ultimamente a vida tem me mostrado que paradigmas são quebráveis; que a verdade não é um modelo absoluto e que a humanidade é suscetível ao retrocesso moral e de personalidade, e daí, surgem as primeiras decepções. A primeira decepção que tive, foi quando percebi que a ciência não está acima da verdade e da mentira, do bem e do mal, de Deus ou do Diabo. A minha segunda decepção veio acompanhando a primeira. Ora, se a ciência é fruto da humanidade, e esta dotada de natureza parcial e tendenciosa, como pode a ciência sobrepor-se aos sentimentos humanos? e aí é que vem o grande desafio: conformar-se de que em algumas situações desta vida não podemos gozar de ações prescritivas e que o nosso aprendizado de vida é o nosso maior aliado.

Nesta etapa da minha vida, cheguei à conclusão de que nunca é tarde para começar de novo, e que errar faz parte do aprendizado. Se eu não errar, não terei parâmetros para delimitar o caminho a seguir. Torno público, então, a minha decisão em enfrentar a vida sem medo de fechar uma porta, de dar o meu rosto a tapa, pois tenho certeza que a coragem – obviamente dentro da racionalidade – é o grande start para o sucesso.

Dedico, portanto, a ti – meu amigo Portela – este “pequeno textículo”, como forma de gratidão ao teu companheirismo e lealdade, pelos ensinamentos que deste a mim e ao Filhinho, mostrando que não se deve temer ao mundo, pois de qualquer maneira, qualquer lugar ao redor do cu é beira.

Espero, sinceramente, nunca mais te encontrar aqui, afinal, teu propósito não ficar estagnado nessa cidade, e sim vender tua alegria e a tua música pelos quatro cantos desse Brasil, e podes ter certeza de uma coisa, tu não estás sozinho, é como dizia Raul Seixas, “um sonho que se sonha só é só um sonho que se sonha só. Um sonho que se sonha junto é realidade”. Boa viagem, sucesso na vida e na carreira, meu amigo. Mostra a todos que é nós que tá na favela, sangue!


quarta-feira, 17 de março de 2010

Qual o Papel da Universidade?


Foto: www.country.com.br


O debate a respeito das questões ambientais e da sustentabilidade invadiu fronteiras até então inimagináveis para os idealizadores da tão famosa Estocolmo 72, reunião organizada pela UNCED que abriu caminhos para as discussões na temática ambiental, assim como apresentou alguns mecanismos aplicáveis a diversos segmentos.


A ECO 92, no Rio de Janeiro, por sua vez, trouxe a tona algumas limitações aos modelos apresentados na reunião anterior, contudo, apresentou maior interesse dos diversos segmentos da sociedade civil em um âmbito global. Naquela ocasião, vale ressaltar, a presença da Universidade já organizada e preocupada com a temática as medidas adotadas no intuito de legitimar a mesma como agente de mudanças.


Um novo foco fora criado. A Educação ambiental foi apontada como parte vital na tentativa de se chegar ao suposto desenvolvimento sustentável, pois se atingiria a participação popular em questões ambientais. Nesse sentido, a Professora Maria Elisabeth Pereira Kraemer, em um documento intitulado A Universidade do século XXI Rumo ao Desenvolvimento Sustentável, revelou a importância da Academia como meio difusor de uma postura ambiental mais correta, a partir da premissa de que os trabalhos desenvolvidos dentro das IES's tem um efeito multiplicador, com isso, cada indivíduo, convencido de boas ideias influencia o conjunto, a sociedade e assim por diante.


De fato, a Profª chegou a um entendimento muito pertinente, que ,porém, nos remonta a algumas discussões um tanto polêmicas. O primeiro ponto é a metodologia para incutir um pensamento ecológico ideal, sobretudo para crianças da educação básica. A metodologia é simples e direta: o certo é isso! Você não deve fazer isso! E para-se por ai. Além de repressora, a forma pela qual tenta-se impor nos futuros gestores dos nossos recursos é muito mais moralista que propriamente filosófica, como aponta a autora. Segundo Kraemer, “o desenvolvimento sustentável deve introduzir uma dimensão ética e política que considera o desenvolvimento como um processo de mudança social”. Ainda no texto, a autora apresenta o pensamento de Morin (2003) a respeito de programas educativos “Programas esses que, devem ser colocados no centro das preocupações sobre a formação de jovens, futuros cidadãos”. Se a educação ambiental, fosse efetivamente, aplicada para a formação de cidadãos talvez deveríamos ficar um pouco mais tranquilos, contudo, tornar uma criança um mero reprodutor de práticas nem sempre comprovadas eficientes pela ciência, não parece muito eficiente.


O segundo ponto assemelha-se com o primeiro por envolver as práticas ambientais. A autora trabalha um outro ponto interessante ainda a respeito de programas educativos. Trata-se do que ela chama de Aprendizagem por projetos. De acordo com a mesma, a prática consiste em facilitar as experiências de aprendizagem ao envolver alunos em projetos complexos e contemporâneos, através dos quais eles desenvolvam e apliquem habilidades e conhecimento. Pois bem, para tanto vale uma discussão: os professores estão capacitados,conscientes ou comprometidos com a formação desses cidadãos? O aparato governamental está preparado para suportar essa demanda social?


No dia 16 de março de 2010, durante uma aula/debate, minha turma estava discutindo opiniões a respeito destas questões, inclusive em cima do texto supracitado anteriormente. Duas coisas me chamaram muita atenção. A primeira em cima do modelo apresentado pelo texto a respeito da universidade como instrumento retroalimentador. Durante esses quase 4 anos anos dentro da academia (pouco tempo é claro!) o que pude observar foi uma certa agitação por parte dos discentes em promover debates, seminários e congressos para debater o tema, contudo, essas reuniões eram sobrecarregadas de parcialidade e opiniões político-partidárias ou idealistas, sem nenhuma ou muito pouca base científica. A consequencia disso é inércia ou pouca evolução das supostas práticas ambientais corretas que supostamente é difundida para a sociedade.


O outro ponto e, para mim, o mais preocupante, reside na falta de definições ou consenso em questões primárias. O próprio conceito de sustentabilidade é apresentado de formas bastante variada por diversos autores. Sendo assim, fica a pergunta: como é que a academia pode dar legitimidade a práticas ambientais saudáveis ou realizar pesquisas que reduzam ou compensem os danos ambientais haja vista a discricionalidade com que tratam o assunto?


Torcemos e façamos alguma coisa para mudar este paradigma. É nosso papel contribuir para o futuro da humanidade não só mobilizando massas, mas para a construção do pensamento, que por sua vez, deve ser amparado pela ciência, afinal, o que levou o homem ao nível intelectual que estamos hoje não foi o contingente a sua disposição e sim as tecnologias que ele desenvolveu.




segunda-feira, 15 de março de 2010

II Workshop de Direitos Humanos e Relações Internacionais


Nos dias 19,20 e 21 de Abril de 2010, acontecerá o II Workshop de Direitos Humanos e Relações Internacionais, no auditório da Reitoria (Avenida Djalma Batista, 3.578 – Flores), promovido pela Liga de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A Liga foi uma iniciativa dos Alunos do Curso de Direito da Escola Superior de Ciências Socias da Universidade do Estado do Amazonas (ESO/UEA). As mudanças ocorridas no Sistema Interamericano, através da reforma, em dezembro de 2009 e as recentes sentenças proferidas contra o Brasil nos casos Sétimo Garibaldi e Escher farão parte da Pauta do Evento.

O Workshop será ministrado pela professora Silvia Loureiro, mestre em Direito pela UnB e professora da UEA. Vale ressaltar que a referida professora é também coordenadora do Grupo de Pesquisa Direitos Humanos na Amazônia.

Quem tiver a oportunidade, não deixe de prestigiar a iniciativa dos alunos do curso de Direito, bem como adiquirir conhecimentos em uma área do conhecimento muito polêmica .

As inscrições poderão ser feitas a partir das 14h na Coordenação do Curso de Direito da ESO findando ao dia 19h no local do evento.


Foto: http://pavablog.blogspot.com

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sem título

Ah, sabe, eu estava preparando um texto legal com um posicionamento de Manuel Castells a respeito do que ele chama de Economia da Informação, mas é impossível se pensar quando se é atingido no ponto fraco. Não quero passar aqui a imagem falsa de que sou o único no mundo que sou sensível a questões referentes a criança.

Eu não queria estar falando sobre isso, muito menos expondo feridas alheias, mas é porque a situação me afetou diretamente. Trata-se de uma criança que nos deixou muito cedo.

Falando em criança, Acabou hoje, dia 11 de março de 2010, o seminário público do Programa Ciência na Escola (PCE). O seminário contou com apresentação de 151 projetos e contou com a participação de alunos da rede pública de ensino.
Para maiores informações sobre o PCE e os seus resultados, acessem http://www.fapeam.am.gov.br

Ran, seu maninho está próximo de Deus fazendo travessuras com os outros anjinhos. Você sabe que pode contar com o meu carinho, ainda mais nesse momento de pesar.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sciurus aestuans, Prazer

Política é pretexto para por para fora todo o preconceito que existe dentro de si. Quando se fala em política sempre se coloca em jogo ideais partidários, que por sua vez são repletos de parcialidade, preconceitos e intransigência. Política se rebaixa ao nível de hipocrisia e se confunde ao discurso de gente que acha ter a posse da mesma. Sou o pior dos ignorantes, pois não me importo com “essa política”. Sou burro, pois creio na força da ciência sobrepondo-se aos chavões carregados de palavras repressoras.

Gostaria de chegar ao meu Centésimo qüinquagésimo aniversário e ser um cara ponderado, que enxerga a política a partir de uma visão científica. Podem averiguar, quem vive de fazer politicagem parece ser muito mais velho. Quero poder chegar até essa idade e conversar com meus filhos, netos, bisnetos ou tataranetos e dizer que a vida é boa e debater com todos eles o legado que a nossa família deixou. Espero, realmente, que esse legado seja a educação. A riqueza é um é muito mais volátil que o conhecimento. Ela reprime e impõem limites, o conhecimento não, apenas abre fronteiras e se perpetua durante várias gerações.

Ah, to sem paciência para continuar escrevendo, mas é isso, segunda-feira começam as aulas na UFAM. Fui!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O outro lado da moeda


Em pleno século XXI ainda se discute, de maneira intensa, as políticas de inclusão sociais a se desenvolverem num país multicultural como o Brasil. É fato que a primeira crise do Neoliberalismo forçou uma mudança de paradigmas para chefes de estado no que tange a políticas sociais, sobretudo por que a prática produz votos das camadas mais pobres da população. Não vamos pensar agora que as políticas sociais são apenas mecanismos geradores de votos. A convenção de Washington já nos apontou da sua influência. O governo precisa fomentar a inclusão social. Devem-se dar as camadas menos favorecidas condições de desenvolvimento.

Creio que devemos nos orgulhar por estarmos vivenciando este momento de convergência de mentalidades. Temos a chance de poder influenciar nas decisões políticas, assim como podemos escandalizar e balançar as estruturas existentes. Não é de hoje que tenho uma postura tendenciosa pra essa questão, todavia, acredito que ela é válida, apesar de ser altamente influenciada por valores morais.

Ontem, por exemplo, durante uma aula de ética, eu e meus colegas de classe estávamos realizando um exercício crítico de debate a questões sociais. Dentre os temas tratados, as cotas raciais novamente voltaram à tona. Ora, fiquei realmente orgulhoso com o que ouvi. Percebi que a turma atingiu um nível de racionalismo interessante. Livramo-nos dos preconceitos iniciais que nos levavam a tomar partido por certas causas sem ao menos conhecê-las. Pois bem, meus amigos, assim como eu, concordamos com a importância das cotas raciais e sócio-econômicas. Devemos nos lembrar e fazer um exercício crítico e de retrospectiva histórica, retornando ao ano de 1888, quando aprendemos que a “salvadora” Princesa Isabel assinou a Lei Áurea e libertou os negros da escravidão. O que foi feito naquela ocasião pela monarquia brasileira que estava quase à beira da queda e/ou o recém governo republicano para inclusão daqueles negros que não tinham capacitação, muito menos condições para sustentar suas famílias? Bem, a resposta é NADA! Vamos fazer um exercício similar. O que fez os governos, durante esses mais de 500 anos, para inclusão das populações indígenas? A resposta, nem preciso dizer.

Gente, a sociedade brasileira tem uma dívida social com essas comunidades. Não é preconceito algum dar uma vaga a um negro ou a um indígena em uma universidade pública. Não podemos esquecer que o governo brasileiro, em outros momentos, custeou a vinda de estrangeiros para se instalarem aqui e nunca olhou com carinho para os filhos da terra.

Agora outro ponto precisa ser muito bem discutido. Não vamos confundir inclusão social e valorização dos brasileiros com xenofobia. Infelizmente, esse foi o único ponto negativo da discussão entre os colegas. Muito deles defendiam uma postura muito mais rígida da universidade para retenção de mais vagas para alunos amazonenses. Já pensou se a USP ou a UNICAMP resolvem impedir a matrícula de alunos de outros estados?

Foi por esse motivo que a minha conclusão foi um tanto quanto confusa. Não sei se a turma está mais madura ou xenofóbica.