sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O outro lado da moeda


Em pleno século XXI ainda se discute, de maneira intensa, as políticas de inclusão sociais a se desenvolverem num país multicultural como o Brasil. É fato que a primeira crise do Neoliberalismo forçou uma mudança de paradigmas para chefes de estado no que tange a políticas sociais, sobretudo por que a prática produz votos das camadas mais pobres da população. Não vamos pensar agora que as políticas sociais são apenas mecanismos geradores de votos. A convenção de Washington já nos apontou da sua influência. O governo precisa fomentar a inclusão social. Devem-se dar as camadas menos favorecidas condições de desenvolvimento.

Creio que devemos nos orgulhar por estarmos vivenciando este momento de convergência de mentalidades. Temos a chance de poder influenciar nas decisões políticas, assim como podemos escandalizar e balançar as estruturas existentes. Não é de hoje que tenho uma postura tendenciosa pra essa questão, todavia, acredito que ela é válida, apesar de ser altamente influenciada por valores morais.

Ontem, por exemplo, durante uma aula de ética, eu e meus colegas de classe estávamos realizando um exercício crítico de debate a questões sociais. Dentre os temas tratados, as cotas raciais novamente voltaram à tona. Ora, fiquei realmente orgulhoso com o que ouvi. Percebi que a turma atingiu um nível de racionalismo interessante. Livramo-nos dos preconceitos iniciais que nos levavam a tomar partido por certas causas sem ao menos conhecê-las. Pois bem, meus amigos, assim como eu, concordamos com a importância das cotas raciais e sócio-econômicas. Devemos nos lembrar e fazer um exercício crítico e de retrospectiva histórica, retornando ao ano de 1888, quando aprendemos que a “salvadora” Princesa Isabel assinou a Lei Áurea e libertou os negros da escravidão. O que foi feito naquela ocasião pela monarquia brasileira que estava quase à beira da queda e/ou o recém governo republicano para inclusão daqueles negros que não tinham capacitação, muito menos condições para sustentar suas famílias? Bem, a resposta é NADA! Vamos fazer um exercício similar. O que fez os governos, durante esses mais de 500 anos, para inclusão das populações indígenas? A resposta, nem preciso dizer.

Gente, a sociedade brasileira tem uma dívida social com essas comunidades. Não é preconceito algum dar uma vaga a um negro ou a um indígena em uma universidade pública. Não podemos esquecer que o governo brasileiro, em outros momentos, custeou a vinda de estrangeiros para se instalarem aqui e nunca olhou com carinho para os filhos da terra.

Agora outro ponto precisa ser muito bem discutido. Não vamos confundir inclusão social e valorização dos brasileiros com xenofobia. Infelizmente, esse foi o único ponto negativo da discussão entre os colegas. Muito deles defendiam uma postura muito mais rígida da universidade para retenção de mais vagas para alunos amazonenses. Já pensou se a USP ou a UNICAMP resolvem impedir a matrícula de alunos de outros estados?

Foi por esse motivo que a minha conclusão foi um tanto quanto confusa. Não sei se a turma está mais madura ou xenofóbica.