quarta-feira, 17 de março de 2010

Qual o Papel da Universidade?


Foto: www.country.com.br


O debate a respeito das questões ambientais e da sustentabilidade invadiu fronteiras até então inimagináveis para os idealizadores da tão famosa Estocolmo 72, reunião organizada pela UNCED que abriu caminhos para as discussões na temática ambiental, assim como apresentou alguns mecanismos aplicáveis a diversos segmentos.


A ECO 92, no Rio de Janeiro, por sua vez, trouxe a tona algumas limitações aos modelos apresentados na reunião anterior, contudo, apresentou maior interesse dos diversos segmentos da sociedade civil em um âmbito global. Naquela ocasião, vale ressaltar, a presença da Universidade já organizada e preocupada com a temática as medidas adotadas no intuito de legitimar a mesma como agente de mudanças.


Um novo foco fora criado. A Educação ambiental foi apontada como parte vital na tentativa de se chegar ao suposto desenvolvimento sustentável, pois se atingiria a participação popular em questões ambientais. Nesse sentido, a Professora Maria Elisabeth Pereira Kraemer, em um documento intitulado A Universidade do século XXI Rumo ao Desenvolvimento Sustentável, revelou a importância da Academia como meio difusor de uma postura ambiental mais correta, a partir da premissa de que os trabalhos desenvolvidos dentro das IES's tem um efeito multiplicador, com isso, cada indivíduo, convencido de boas ideias influencia o conjunto, a sociedade e assim por diante.


De fato, a Profª chegou a um entendimento muito pertinente, que ,porém, nos remonta a algumas discussões um tanto polêmicas. O primeiro ponto é a metodologia para incutir um pensamento ecológico ideal, sobretudo para crianças da educação básica. A metodologia é simples e direta: o certo é isso! Você não deve fazer isso! E para-se por ai. Além de repressora, a forma pela qual tenta-se impor nos futuros gestores dos nossos recursos é muito mais moralista que propriamente filosófica, como aponta a autora. Segundo Kraemer, “o desenvolvimento sustentável deve introduzir uma dimensão ética e política que considera o desenvolvimento como um processo de mudança social”. Ainda no texto, a autora apresenta o pensamento de Morin (2003) a respeito de programas educativos “Programas esses que, devem ser colocados no centro das preocupações sobre a formação de jovens, futuros cidadãos”. Se a educação ambiental, fosse efetivamente, aplicada para a formação de cidadãos talvez deveríamos ficar um pouco mais tranquilos, contudo, tornar uma criança um mero reprodutor de práticas nem sempre comprovadas eficientes pela ciência, não parece muito eficiente.


O segundo ponto assemelha-se com o primeiro por envolver as práticas ambientais. A autora trabalha um outro ponto interessante ainda a respeito de programas educativos. Trata-se do que ela chama de Aprendizagem por projetos. De acordo com a mesma, a prática consiste em facilitar as experiências de aprendizagem ao envolver alunos em projetos complexos e contemporâneos, através dos quais eles desenvolvam e apliquem habilidades e conhecimento. Pois bem, para tanto vale uma discussão: os professores estão capacitados,conscientes ou comprometidos com a formação desses cidadãos? O aparato governamental está preparado para suportar essa demanda social?


No dia 16 de março de 2010, durante uma aula/debate, minha turma estava discutindo opiniões a respeito destas questões, inclusive em cima do texto supracitado anteriormente. Duas coisas me chamaram muita atenção. A primeira em cima do modelo apresentado pelo texto a respeito da universidade como instrumento retroalimentador. Durante esses quase 4 anos anos dentro da academia (pouco tempo é claro!) o que pude observar foi uma certa agitação por parte dos discentes em promover debates, seminários e congressos para debater o tema, contudo, essas reuniões eram sobrecarregadas de parcialidade e opiniões político-partidárias ou idealistas, sem nenhuma ou muito pouca base científica. A consequencia disso é inércia ou pouca evolução das supostas práticas ambientais corretas que supostamente é difundida para a sociedade.


O outro ponto e, para mim, o mais preocupante, reside na falta de definições ou consenso em questões primárias. O próprio conceito de sustentabilidade é apresentado de formas bastante variada por diversos autores. Sendo assim, fica a pergunta: como é que a academia pode dar legitimidade a práticas ambientais saudáveis ou realizar pesquisas que reduzam ou compensem os danos ambientais haja vista a discricionalidade com que tratam o assunto?


Torcemos e façamos alguma coisa para mudar este paradigma. É nosso papel contribuir para o futuro da humanidade não só mobilizando massas, mas para a construção do pensamento, que por sua vez, deve ser amparado pela ciência, afinal, o que levou o homem ao nível intelectual que estamos hoje não foi o contingente a sua disposição e sim as tecnologias que ele desenvolveu.




segunda-feira, 15 de março de 2010

II Workshop de Direitos Humanos e Relações Internacionais


Nos dias 19,20 e 21 de Abril de 2010, acontecerá o II Workshop de Direitos Humanos e Relações Internacionais, no auditório da Reitoria (Avenida Djalma Batista, 3.578 – Flores), promovido pela Liga de Direito Constitucional da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A Liga foi uma iniciativa dos Alunos do Curso de Direito da Escola Superior de Ciências Socias da Universidade do Estado do Amazonas (ESO/UEA). As mudanças ocorridas no Sistema Interamericano, através da reforma, em dezembro de 2009 e as recentes sentenças proferidas contra o Brasil nos casos Sétimo Garibaldi e Escher farão parte da Pauta do Evento.

O Workshop será ministrado pela professora Silvia Loureiro, mestre em Direito pela UnB e professora da UEA. Vale ressaltar que a referida professora é também coordenadora do Grupo de Pesquisa Direitos Humanos na Amazônia.

Quem tiver a oportunidade, não deixe de prestigiar a iniciativa dos alunos do curso de Direito, bem como adiquirir conhecimentos em uma área do conhecimento muito polêmica .

As inscrições poderão ser feitas a partir das 14h na Coordenação do Curso de Direito da ESO findando ao dia 19h no local do evento.


Foto: http://pavablog.blogspot.com

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sem título

Ah, sabe, eu estava preparando um texto legal com um posicionamento de Manuel Castells a respeito do que ele chama de Economia da Informação, mas é impossível se pensar quando se é atingido no ponto fraco. Não quero passar aqui a imagem falsa de que sou o único no mundo que sou sensível a questões referentes a criança.

Eu não queria estar falando sobre isso, muito menos expondo feridas alheias, mas é porque a situação me afetou diretamente. Trata-se de uma criança que nos deixou muito cedo.

Falando em criança, Acabou hoje, dia 11 de março de 2010, o seminário público do Programa Ciência na Escola (PCE). O seminário contou com apresentação de 151 projetos e contou com a participação de alunos da rede pública de ensino.
Para maiores informações sobre o PCE e os seus resultados, acessem http://www.fapeam.am.gov.br

Ran, seu maninho está próximo de Deus fazendo travessuras com os outros anjinhos. Você sabe que pode contar com o meu carinho, ainda mais nesse momento de pesar.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Sciurus aestuans, Prazer

Política é pretexto para por para fora todo o preconceito que existe dentro de si. Quando se fala em política sempre se coloca em jogo ideais partidários, que por sua vez são repletos de parcialidade, preconceitos e intransigência. Política se rebaixa ao nível de hipocrisia e se confunde ao discurso de gente que acha ter a posse da mesma. Sou o pior dos ignorantes, pois não me importo com “essa política”. Sou burro, pois creio na força da ciência sobrepondo-se aos chavões carregados de palavras repressoras.

Gostaria de chegar ao meu Centésimo qüinquagésimo aniversário e ser um cara ponderado, que enxerga a política a partir de uma visão científica. Podem averiguar, quem vive de fazer politicagem parece ser muito mais velho. Quero poder chegar até essa idade e conversar com meus filhos, netos, bisnetos ou tataranetos e dizer que a vida é boa e debater com todos eles o legado que a nossa família deixou. Espero, realmente, que esse legado seja a educação. A riqueza é um é muito mais volátil que o conhecimento. Ela reprime e impõem limites, o conhecimento não, apenas abre fronteiras e se perpetua durante várias gerações.

Ah, to sem paciência para continuar escrevendo, mas é isso, segunda-feira começam as aulas na UFAM. Fui!