domingo, 27 de setembro de 2009

Indignação

Brasil, meu Brasil brasileiro. Se não fosse pela demagogia da frase, talvez devesse ser minha música preferida, mas como a realidade é completamente diferente, prefiro admirar a beleza dos versos.

Eu, realmente, gostaria de ter a visão de Caminha, que ao por os pés na encantada Ilha de Vera Cruz, fascinou-se com a beleza daquele lugar que tinham palmeiras onde cantavam sabiás, onde um estranho, mas receptivo povo o recebera.

Ora, não quero aqui escandalizar a fábula que todos nós aprendemos na 1ª série, mas acredito que esse seja o primeiro capítulo da hipocrisia que se iniciou lá em 1500 e se estende até hoje, e, provavelmente, assim como os contos bíblicos, se perpetuarão em uma roupagem mais moderna. A questão toda é que nem só de sexo vive o homem, as vezes um pouco de dignidade cai bem, o problema é que as nossas autoridades acham que podem comprá-la com uma bolsa-esmola e fica como está.

Eu não creio que a honra seja um sentimento tão glorioso quanto pregavam os orientais ou como San Martin, o libertador da América, até por que, há quem utilize tal pretexto para matar. Hoje, não só a minha dignidade, como também minha honra foram pisoteadas por hipócritas engravatados, que assim como os portugueses, chamaram o povo brasileiro de bárbaro.

Bem, toda a história constrangedora não chegou a iniciar dentro da biblioteca, mas na entrada do Edifício Raimar Aguiar, sede da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas. Acredite se quiser, mas fui impedido de entrar por trajar uma bermuda. Francamente, qual a vulgaridade que se vê no uso de uma bermuda em uma cidade que faz, em média, 31°C por dia? Além do mais, você vai impedir um estudante de usar uma biblioteca por um motivo tão fútil assim?

Bem, amigos, na verdade, eu gostaria de compartilhar meu sentimento de tristeza simplesmente pelo fato do estudante ser tratado dessa forma. Sinto-me como o índio que teve que vestir calças, calçar botas e comer de talheres, pois o hipócrita português disse que isto sim era o certo, e fazemos até hoje.

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